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Observatório de Tendências Regionais

Nove corredores de pagamento para acompanhar no comércio global

by J.P. Morgan / 4 min
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Como os fluxos internacionais de pagamentos estão mudando – e por quê?

Uma alta repentina na demanda em dezembro deixa um varejista de moda de Londres quase sem estoque de um de seus produtos mais vendidos. Para repor as peças a tempo, a empresa faz um pedido emergencial ao seu fornecedor na Turquia. Se a carga for enviada por frete aéreo expresso, ela poderá chegar a Londres em até 48 horas, ainda a tempo da movimentação de fim de ano.

O desafio está no pagamento. Mesmo quando a empresa dispõe dos recursos necessários, fazer o dinheiro chegar ao fornecedor pode levar de um a três dias, atrasando a liberação da mercadoria. Em muitos casos, uma transferência internacional precisa passar por uma cadeia de bancos correspondentes antes de chegar ao destinatário final, o que acrescenta tempo, custo e complexidade ao processo. Esse cenário evidencia um descompasso: enquanto as cadeias de suprimentos foram desenvolvidas para operar com rapidez e eficiência, os pagamentos nem sempre acompanham esse mesmo ritmo.

Essa diferença é percebida em diversas situações do dia a dia, tanto de indivíduos quanto de empresas: do varejista que precisa pagar fornecedores ao trabalhador expatriado que envia dinheiro para sua família; da empresa que administra a folha de pagamento de equipes distribuídas pelo mundo ao investidor que direciona capital para uma startup.

A boa notícia é que esse cenário está mudando. Instituições financeiras vêm fortalecendo corredores estratégicos de pagamento por meio de investimentos em infraestrutura que tornam a movimentação de recursos mais rápida, simples e eficiente. Isso pode incluir a expansão das capacidades locais nos mercados envolvidos ou uma integração mais eficiente entre sistemas de compensação doméstica e liquidez em câmbio, melhorando preços e execução.1

Esses avanços fazem mais do que reduzir algumas horas nos prazos de liquidação. Eles proporcionam mais segurança para que multinacionais cresçam e se adaptem, sustentam os fluxos globais de remessas e fortalecem o comércio entre países. E a necessidade de reduzir ainda mais o atrito nas principais rotas globais de pagamento tende a aumentar nos próximos anos: o volume de pagamentos internacionais deve crescer de US$ 208 trilhões em 2025 para US$ 320 trilhões em 2032.2,3

A seguir, destacamos nove corredores de pagamento identificados pelo J.P. Morgan como particularmente relevantes. Com base em dados de 2023 a 2025 sobre volumes de transações cross-border, esses corredores foram selecionados não apenas por sua atividade recente, mas também por seu potencial de crescimento. Por isso, devem permanecer no radar de bancos, empresas e outras instituições financeiras nos próximos anos.

VÍDEO
Nove corredores de pagamento para acompanhar



Os números refletem as transações em USD/GBP processadas pelo J.P. Morgan, seja como banco remetente, intermediário ou destinatário, entre 2023 e 2025. Os dados não incluem pagamentos STP (Straight-Through Processing) nem transferências contábeis (book transfers).

EUA, Filipinas
O trabalho on-demand (gig work) em plataformas digitais cresceu rapidamente nas Filipinas, impulsionado pelo alto nível de proficiência em inglês no país e por melhorias relevantes na infraestrutura digital local. Os EUA estão entre os principais clientes internacionais para os profissionais filipinos desse segmento, o que tem aumentado os fluxos de pagamento para o país. 4
Bangladesh, Singapura
Esse corredor é impulsionado principalmente pelo comércio de derivados de petróleo. Singapura é um dos principais centros globais de refino e exportação de combustíveis, enquanto Bangladesh conta com capacidade limitada de refino doméstico. Como resultado, as importações provenientes de Singapura desempenham um papel importante no abastecimento energético de Bangladesh e contribuem para a diversificação de suas fontes de suprimento. 5,6
EUA e Brasil
Entre os países latino-americanos, o Brasil ocupa a segunda posição entre as principais origens das importações agrícolas dos Estados Unidos, atrás apenas do México. Nos últimos anos, a expansão da capacidade produtiva nos setores do agronegócio e de energia impulsionou as exportações brasileiras, ampliando os fluxos comerciais entre os dois países. 7,8
Japão e Vietnã
O Vietnã é um importante fornecedor de têxteis e vestuário para o Japão. Além disso, produtos agrícolas como frutos do mar, café e hortifrutigranjeiros representaram uma parcela significativa dos US$ 26,8 bilhões exportados pelo país ao mercado japonês em 2025. Para apoiar a expansão desse fluxo comercial, as autoridades vietnamitas têm incentivado a adoção de padrões mais elevados de qualidade e segurança alimentar, alinhados às exigências do Japão. 9,10
EUA e Argentina
Desde que a Argentina passou a permitir a liquidação de contratos e faturas em moedas estrangeiras, os fluxos de dólares dos Estados Unidos para o país aumentaram. Em muitos casos, o dólar se consolidou como a moeda de preferência para transações comerciais e financeiras, em meio aos desafios inflacionários enfrentados pela economia argentina. 11,12,13
Índia e Emirados Árabes Unidos
Acordos comerciais bilaterais contribuíram para o crescimento desse corredor. Em 2024, as importações indianas dos Emirados Árabes Unidos superaram US$ 55 bilhões. Paralelamente, empresas indianas expandiram sua presença no Abu Dhabi Global Market (ADGM) a uma taxa anual próxima de 40% nos últimos anos, refletindo o aprofundamento das relações comerciais e financeiras entre os dois países. 14,15,16
Reino Unido, Índia
Em 2024, mais de US$ 20 bilhões em remessas foram enviados do Reino Unido para a Índia. Ao mesmo tempo, as exportações indianas para o Reino Unido cresceram de forma significativa nos últimos anos, refletindo os esforços dos dois países para ampliar o comércio bilateral. 17,18
Reino Unido, Turquia
O comércio entre Reino Unido e Turquia continuou a avançar após a assinatura de um acordo provisório de livre comércio em 2021. Automóveis e têxteis figuram entre as principais exportações turcas para o mercado britânico. Ao mesmo tempo, empresas do Reino Unido têm transferido parte de sua produção para a Turquia por meio de estratégias de nearshoring, buscando aumentar a resiliência de suas cadeias de suprimentos 19
Singapura e Emirados Árabes Unidos
Os Emirados Árabes Unidos são o principal destino dos investimentos de Singapura no Oriente Médio, contribuindo para o fortalecimento desse corredor. Mais de 600 empresas singapurenses operam no país, com destaque para os setores financeiro, de saúde e de infraestrutura. Com os Emirados se consolidando como um hub regional para o Oriente Médio e o Norte da África, a expectativa é que os fluxos de investimento e de pagamentos entre os dois mercados continuem crescendo. 20,21



https://www.jpmorgan.com/payments/payments-unbound/sources

Illustration: Manuel Bortoletti

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